publicado em 1 de outubro de 2011
  RIO +20 – EA – Carta Aberta II Jornada Internacional de Educação Ambiental

Socializamos  aqui no www.areteeducar.com.br  a versão preliminar da Carta Aberta da  II  Jornada de  EA, para que nosso  leitor e leitora possa  ter acesso, contribuir  com o aprimoramento da redação  e  replicar em seus contatos e redes, construindo  os princípios e atitudes necessários para a  sustentabilidade.

Atenciosamente,

Gildázio Santos

 

Caríssim@s,

Segue a Versão Preliminar da CARTA ABERTA dos educadores e educadoras preparada no Brasil, mas que percorrerá uma longa Jornada pelo mundo afora até sua versão final

Aguardamos receber suas noticias sobre sua disseminação.

Um abraço

Comissão Organizadora da Jornada

www.tratadodeeducacaoambiental.net

2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental

CARTA ABERTA

das educadoras e dos educadores por um mundo justo e feliz!

Rio+20 na transição para Sociedades Sustentáveis.

(Versão Preliminar)

Nós, educadoras e educadores dos mais diversos lugares do Planeta, neste momento em que o mundo novamente coloca em pauta as grandes questões que foram tratadas na Rio 92, reafirmamos nossa adesão aos princípios e valores expressos em documentos planetários como o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, a Carta da Terra, a Carta das Responsabilidades Humanas, a Declaração do Rio, entre outras. (1)

Mas só reafirmar já não basta! Transbordamos de referenciais teóricos que nos iluminam, e com eles os princípios, valores, diretrizes e linhas de ações propostos nos documentos citados precisam verdadeiramente sair do papel, pois o tal “desenvolvimento” atingido ainda aparta 80% da humanidade das condições mínimas de vida na Cultura de Paz, com justiça ambiental e social. (2)

É inadmissível que ainda tenhamos guerras, gastos com armas, um bilhão de famintos e miseráveis, falta de água potável e saneamento para imensas parcelas da humanidade. É inadmissível a violação dos Direitos Humanos (diversidade de gênero, etnia, geracional, condição social e geográfica), a perda da diversidade de espécies, culturas, línguas e genética, o lucro mesquinho, a violência urbana e todas as formas de discriminação e projetos de poder opressivos. (3)

As manifestações humanas em vários países pela derrubada dos ditadores de todos os tipos são indicadores da necessidade de novas propostas de organização dos 7 bilhões de humanos. Já é uma evidencia que a governabilidade e a governança do Planeta precisam estar nas mãos das comunidades locais nas quais deve existir a responsabilidade global com o Bem Comum de humanos e não humanos e de todos os sistemas naturais e de suporte à vida. (4)

Precisamos aprender e exercitar outras formas de fazer políticas públicas a partir das comunidades, e exigir políticas estatais comprometidas com a qualidade de vida dos povos. Para tanto, faz-se urgente fortalecer os processos educadores comprometidos com a emancipação humana e a participação política na construção de Sociedades Sustentáveis, onde cada comunidade humana sinta-se comprometida, incluída e ativa no compartilhamento da abundância das riquezas e da Vida no nosso Planeta. (5)

A capacidade de suporte da Mãe Terra está chegando ao limite, fato decorrente do modo de ocupação, produção e consumo irresponsáveis do capitalismo vigente, que se tornou o modelo econômico global, e agora também apresenta o discurso de Economia Verde. Para nós, quaisquer que sejam os conceitos ou termos utilizados, o indispensável é que a visão socioambiental esteja sempre à frente. A construção de Sociedades Sustentáveis com Responsabilidade Global fundamenta-se nos valores da vida aos quais a economia deve servir. (6)

Sociedades Sustentáveis são constituídas de cidadãos e cidadãs educadas ambientalmente em suas comunidades, decidindo a cada passo desta caminhada o que significa Economia Verde, Sustentabilidade, Desenvolvimento Sustentável, Mudanças Climáticas e tantos outros conceitos que, em muitos casos, se afastam de sua origem ou motivação que é a transição para um outro mundo possível, sendo cooptados ou cunhados já a serviço de uma racionalidade hegemônica e liberal. Cada comunidade pode ver e sentir além das palavras e da semântica, mantendo seu rumo em direção à união planetária, traçando sua própria História. (7)

Retomar e apropriar-se localmente destes conceitos sob a força da Identidade Planetária potencializará as comunidades aprendentes, a partir da prática dialógica, ao sentido de pertencimento e às mobilizações que se fazem necessárias para seu Bem Viver e Felicidade individual e coletiva. Neste exercício configura-se a essência da dimensão espiritual como prática radical da valoração ética da vida, do cuidado respeitoso a todas as formas viventes, unindo corações e mentes pelo amor. Trata-se de um processo que potencializa o indivíduo para a prática do diálogo consigo mesmo, com o outro, com a comunidade planetária como um todo, resgatando o senso de cidadania e superando a dissociação entre Sociedade e Natureza. (8)

Cabe, então, perguntar: onde se situa o papel da Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global? A resposta, em pleno século XXI, só pode ser uma: no Centro. No centro da vida cotidiana, da gestão educacional, da gestão política, econômica e ambiental. Assim se consolida a Educação Ambiental para o outro mundo, com justiça ambiental e social, assegurando o desenvolvimento de uma democracia efetivamente participativa capaz de garantir o desenvolvimento social, cultural e espiritual dos povos, bem como seu controle social. (9)

Queremos então estabelecer e consolidar Planos de Ação Locais e Planetário, tendo como foco principal uma educação que leve a desvendar as estruturas de classe e de poder entre pessoas, instituições e nações que atualmente imperam em nosso planeta Terra. (10)

Educar a nós mesmos para Sociedades Sustentáveis significa nos situarmos em relação ao sistema global vigente, para redesenharmos nossa presença no mundo, saindo de confortáveis posições de neutralidade. Porque a educação é sempre baseada em valores: nunca houve, não existe, nunca haverá neutralidade na educação, seja ela formal, não formal, informal, presencial ou à distância. (11)

Educadoras e educadores de todas as partes do mundo concordamos que o caminho para a real sustentabilidade pode ser feito por várias trilhas ou correntes que se pautam em valores e princípios que apontam para a sustentabilidade. Aprendizagem Transformadora, Alfabetização Ecológica, Educação Popular Ambiental, Ecopedagogia, educação Gaia, Educ-Ação Socioambiental são algumas delas. Todas estas correntes têm pontos em comum que trazem contribuições para a construção dos novos modelos de sociedade. E todas nos remetem à necessidade de desenvolver conhecimentos, consciência, atitudes e habilidades necessárias para participar na construção destes novos modelos, integrando-os em nossa forma de ser, de produzir, de consumir e de pertencer. (12)

Mais do que nunca apelamos por uma educação capaz de despertar admiração e respeito pela complexidade da sustentação da vida, tendo como utopia a construção de sociedades sustentáveis por meio da ética do cuidar e de proteger a bio e a sociodiversidade. Neste fazer educativo, a transdisplinariedade intríseca à educação socioambiental, leva à interação entre as várias áreas da ciência e da tecnologia e as diferentes manifestações do saber popular e tradicional. É o que permite a integração de conhecimentos já existentes e a produção de novos conhecimentos e novas ações socioambientais, no exercício do Diálogo entre Saberes e Cuidados como Tecnologia de Ponta na Educação para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global. (13).

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(*) Construção coletiva das instituições que integram a Secretaria Executiva da Jornada.

O QUE FAZER COM ESTA CARTA ABERTA?

a) Através do Comitê Facilitador Internacional da Jornada e de instituições parceiras, esperamos que ela entrará no mailing de todos, de maneira que a Carta chegue ao maior número possível de pessoas interessadas e comprometidas com a construção de sociedades sustentáveis e responsabilidade global.

b) O texto atual não é o definitivo. Assim, são bem-vindos comentários e sugestões para finalizar este texto com participação de todas as pessoas interessadas. Podem ser respostas individuais ou coletivas, feitas a partir da inclusão da carta na pauta de encontros, reuniões, seminários, enfim, de todo e qualquer espaço onde se posa divulgar a 2ª Jornada Internacional de Educação Ambiental como assunto de quem está interessado em participar da mesma, de forma presencial ou à distância.

c) Para facilitar a catalogação das respostas recebidas, no final de cada parágrafo incluímos um número que o identifica. Assim, agradecemos de antemão lembrar-se de colocar este número junto ao seu comentário.

d) Esta carta aberta será assunto de diálogos presenciais durante o Fórum Social Mundial que se realizará em Porto Alegre em janeiro de 2012. Por este motivo, o grupo de redação aguardará até o dia 25 de novembro os comentários e sugestões para dar início ao novo processo de estruturação da carta, a qual, normalmente, não deverá exceder duas páginas.

e) A Carta Aberta, a partir do FSM circulará amplamente para todos os Atores Sociais que, de alguma forma, estarão envolvidos na Rio+20 ou que são referencias na Educação Sociedades Sustentáveis Responsabilidade Global. Durante o evento da Rio+20, a Carta dos Educadores e Educadoras estará disponível no Espaço da Jornada de Educação Ambiental e em outros para assinaturas de adesão, além de ser trabalhada junto aos “Major Groups” no Evento das Nações Unidas.

f) Por favor, envie seu retorno ao e-mail jornadaRIO20@gmail.com. As informações recebidas serão novamente trabalhadas na Secretaria Executiva da Jornada com vistas à produção final do texto até janeiro de 2012.

É importante ter seu nome no caso de comentários pessoais; e, se a carta tiver sido trabalhada com algum grupo, identificar este grupo e a ação que desenvolveu. É muito importante dar visibilidade a este processo de construção coletiva.

Recebam nosso abraço e nossos bons votos para um bom trabalho nesta contribuição que queremos dar a caminho da Rio+20.

 

MOEMA VIEZZER

Coordenação da Jornada

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